Crítica de ‘Reis e Ratos’ – Mistura filmes de Leslie Nielsen com ambiente policial

Poster do filme 'Reis e Ratos', que tem estreia nacional dia 17 de fevereiro (Divulgação)

A ideia era interessante: reunir personagens excêntricos em um ambiente pré-golpe militar no Brasil. Porém, Mauro Lima, o mesmo diretor de “Meu nome não é Johnny”, faz um filme com o qual é difícil se conectar. O longa, que tem o roteiro assinado pelo próprio diretor, tenta envolver o público através de diálogos com toques de comédia escancarada, uma fórmula que poucas vezes dá certo.

Com uma trama que tem espiões, um locutor muito esquisito, militares e outros personagens curiosos reunidos em uma época, onde a palavra “comuna” era de uso diário das autoridades, as melhores partes do filme acontecem mesmo nas excelentes conversas entre Selton Mello e Otávio Müller.

“Reis e Ratos” é um longa Noir Brasileiro. Filmado em apenas 17 dias, a fita em P&B é uma mistura de filmes do Leslie Nielsen com o ambiente Noir de pano de fundo – pena que o roteiro não ajuda muito o andamento da história. Na trama, em meio a um cenário político conturbado, alguns personagens são envolvidos em um clima de conspiração.

Gregório Duvivier e Marcelo Adnet aparecem logo nas cenas iniciais e o público já os projeta para mais algumas cenas ao longo da fita. Os dois humoristas oriundos do stand-up são sempre adorados pela plateia – pena ter ficado só no pensamento uma presença mais marcante deles na história. A primeira participação de Seu Jorge no longa é sensacional. Uma entrada triunfal, vestido de mulher, e nos vocais, parecendo uma Whitney Houston à brasileira.

Selton Mello fala um português arranhado no filme com algumas expressões em inglês embutidas. O ator interpreta Troy Somerset, um agente americano da CIA casado com uma brasileira, que adora conversas sobre cultura e joga na tela raciocínios hilários sobre o mundo em que vive.

O personagem de Cauã Raymond se perde na história. Aos poucos o público vai se distanciando do entendimento e da necessidade dele para a história. O desfecho é o de um Viking Espadachim completamente insano que não agrega qualquer sentido à trama – já é o segundo longa nacional do ano em que aparece uma espada gigante a la “Kill Bill”, sendo manipulada por um dos personagens.

Rafaela Mandelli combina com a atmosfera noir. Suas expressões e seu jeito de conduzir Amélia Castanho se destacam, o que faz a personagem permanecer em evidência praticamente em todas as cenas.

Rodrigo Santoro aparece pouco em sua interpretação de Roni Rato, um vigarista, ex-cafetão e viciado, cuja importância para a trama beira a inexistência.

Vale destacar também Otávio Müller e seu Major Esdras que possui boas sequências com o personagem de Selton Mello, em cenas que chegam a ser um Oásis para o espectador.

Ou seja, pode-se perceber que talvez a pressa tenha atrapalhado um pouco essa produção que estreia dia 17 de fevereiro em muitos cinemas no Brasil. E que não reste dúvida: filmar em pouco tempo é um risco.

Assista ao trailer do filme “Reis e Ratos”:

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