Na tarde da última terça-feira, 10 de abril, nosso jornalista Raphael Camacho conversou com o elenco do filme “Área Q”, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro. Muito atenciosos, o diretor Gerson Sanginitto, o artista americano Isaiah Washington e o ator Murilo Rosa responderam a perguntas sobre essa produção Sci-fi que chega aos nossos cinemas no dia 13 de abril.
Abaixo, o que de melhor aconteceu nessa conversa.
-O cinema nacional tem poucos filmes de Sci-fi e você optou por fazer um filme voltado com essa temática extraterrestre. O que te chamou a atenção para fazer isso e qual foi o ponto que você acreditou que o filme poderia dar certo?
Gerson Sanginitto: Quando eu resolvi escrever essa história, eu escrevi o argumento, eu na verdade não pensei que o cinema nacional não tinha essa tradição, que esse gênero não era muito explorado, eu nunca pensei nisso. O que eu pensei na verdade era contar uma história que fosse relevante para mim. E porque o Sci-fi? Também nem gosto de rotular esse filme como ficção científica, acho que diminui um pouco é mais do que isso o filme. Mas porque fazer filmes com elementos de ficção científica, em uma abordagem suave espiritualista? Porque eu cresci influenciado pelos filmes do Spielberg, “E.T” foi o filme que me fez pensar em estudar cinema. E foi isso, a gente começou a pesquisar na internet essa região, que realmente existe, por isso até o nome Área Q porque tem muitas cidades que começam com a letra Q e nessas regiões existem muitos estudos de ufologia.
-Como foi a escolha para o elenco?
Gerson Sanginitto: Eu conheço o Murilo a muito anos, ficamos em cartaz com uma peça da Maria Clara Machado, eu fui para os EUA mas nunca perdemos o contato. Aí eu reencontrei o Murilo em 2008 aí falei para ele que tinha um personagem para ele no meu filme que era um desafio, são três personagens. Para o personagem que a Tânia fez, eu tinha a Tânia em mente e mais uma atriz. No caso, a Tânia veio para o projeto porque nessa época eles estavam fazendo uma novela juntos, “Caminho das Índias”, ai eu a conheci, tivemos umas duas reuniões e ela entrou no projeto também. O ator Ricardo Conti que também é um dos protagonistas, que fez tablado também, no caso veio uma lista e o nome dele era o último ou o penúltimo aí fui vendo..Ricardo Conti..eu conheço! Aí liguei para ele! Esse foi o elenco brasileiro, os principais. No ceará, os atores eu não conhecia, pedi para o produtor executivo do filme anunciar que íamos fazer um filme e que eu ia fazer testes. Aí eu fui pra lá e fiz testes. Os figurantes foram pessoas da cidade, a cidade apoiou, a cidade recebeu a gente de braços aberto. No caso do Isaiah (Washington), quando a gente tava escrevendo o roteiro eu não tinha falado para ninguém que o protagonista ia ser afro descendente. Na verdade eu nem sei porque eu pensei isso, sabe quando vem um pensamento forte? Esse personagem é negro, não branco. Quando terminou o primeiro tratamento (do roteiro) a Júlia Câmara começou a me dar sugestões de atores, todos brancos, aí eu falei para ela esse personagem é negro. Eu pensei no Don Cheadle, esse é um grande ator, nomeado ao Oscar. Aí ela (Júlia) me falou: Gérson se você conseguir esse cara você vai gastar o dinheiro todo com ele e não vai ter dinheiro para filmar. Assim, ela sugeriu o Isaiah Washigton, que fez “Grey’s Anatomy”. Eu acompanho a carreira desse cara, desde os filmes do Spike Lee. Ele fez o “True Crime” com o Clint Eastwood, depois fez um filme com o Steven Soderbergh que tinha a Jennifer Lopez no elenco, “Out of Sight” (“Irresistível Paixão”). Quando estávamos no primeiro tratamento do roteiro, eu falei que não vou entregar o roteiro a ele porque ainda não tá sólido. Quando estávamos no terceiro tratamento, eu me senti seguro. Falei com um produtor lá de fora que trabalha comigo desde 2005 sobre o Isaiah, aí ele disse: deixa comigo que eu consigo entrar em contato. A gente marcou uma reunião e ele fechou comigo.
-Como surgiu o convite para esse filme? Como o projeto de “Área Q” chegou em suas mãos?
Murilo Rosa: Em 1993 eu fazia uma peça dirigida pela Maria Clara Machado no tablado e ele (Gérson, o diretor de “Área Q”) era um dos atores, aí ficamos amigos nessa época. Logo depois ele se mudou para os EUA e se formou em cinema, assim fiquei muito tempo sem falar com ele. Em 2008, eu fui ao Festival de Los Angeles com o filme “A Orquestra dos Meninos” e eu o reencontrei, aí ele me convidou para fazer esse trabalho e me deu o roteiro. Eu li o roteiro e achei interessante, pensei: “Fazer um filme de ficção científica, fazer três personagens, era bem diferente e quando vou fazer um personagem que é abduzido? Acho que nunca né? Foi muito bacana o processo, ele pensou o filme em março e em setembro ele tava filmando. Não é uma superprodução, é um filme com recurso apertado mas que ele conseguiu fazer de uma forma tranquila. Ficamos lá 4, 5 semanas no Ceará, tudo foi tranquilo, tudo foi bacana.
Isaiah Washington: Os meus agentes receberam o roteiro, leram e me falaram: Acho que é um filme que você vai gostar. Aí quando eu recebi o roteiro li em voz alta para meus filhos ouvirem, assim como uma história para dormir. Um dos meus filhos falou pra mim: pai você deveria fazer esse filme. Aí encontrei com o Gérson em agosto e em setembro já estávamos filmando.
- É um filme mais falado em inglês do que em português. Como você viu o filme dessa forma?
Murilo Rosa: Eu faço três personagens. O João Batista no início do filme é um cara do interior, trinta anos depois eu faço o filho dele em uma cena rápida mas muito divertida e depois eu faço esse cara que veio de outro universo que eu não sei qual, que trás essa mensagem que é a mensagem do desfecho do filme, nessa cena eu falo inglês. Achei a experiência muito positiva. O resultado, que pra mim é o mais importante, fiquei muito contente não é uma superprodução mas o filme tem uma identidade, uma verdade e eu acho que o Gérson fez milagres.
-Você acredita em seres extraterrestres?
Murilo Rosa: Acredito. Talvez não desse jeito que a gente imagina. É mais fácil eu acreditar do que não acreditar que existe vida em outros planetas. São tantas galáxias, um universo tão gigantesco, infinito se a gente imaginar. Se é infinito pode ser que se eu viajar durante um milhão de anos vai ter alguma coisa em algum lugar.
- Qual seu próximo projeto no mundo cinema? Pode adiantar alguma coisa pra gente?
Murilo Rosa: Vou fazer um filme, está sendo montado chamado “Vazio Coração”, direção do Alberto Araújo que é um poeta goiano onde eu faço um cantor, cantei para 30 mil pessoas num show ao vivo. O cantor é uma mistura do Fábio Jr. com o Luan Santana. Eu faço essa referência porque o Fabio Jr. é um cantor romântico mas eu acho que tem uma pegadinha do interior, onde o Luan é o pop. É bem interessante, tem Othon Bastos, Lima Duarte, Larissa Maciel, Beth Mendes, Oscar Magrini é um filme bem legal, está sendo montado, então, deve ser lançado no final do ano.










