Robert Downey Jr. nasceu no meio onde vive até hoje. Filho de um diretor e uma atriz, descendentes de irlandeses e russos, o astro começou na tela grande já aos 5 anos, obviamente num filme do pai. Hoje aos 47 anos, Downey Jr. explodiu nos anos 80, na chamada geração ‘brat pack’, tendo feito um dos mais sérios filmes desse grupo de jovens atores, ‘Abaixo de Zero’. A partir desse momento, o problema com drogas que já se apresentava nele teve um gancho com o tema do filme, e ele parecia tão destinado aos holofotes quanto ao mundo dos entorpecentes.
Nem a indicação ao Oscar pela brilhante intepretação em ‘Chaplin’, vivendo esse mito do cinema, fez com que sua carreira se livrasse de um vício que o próprio ator mergulhava cada vez mais. Após anos de ostracismo, os anos 2000 recuperaram Downey Jr. e a lembrança que ficou dos amargos anos 90 foram suas pequenas participações e pontuais grandes interpretações.
Há 5 anos ele decidiu que era hora de ser um astro, já que ‘grande ator’ ele já era faz tempo. O convite para viver o carismático Tony Stark, a identidade nada secreta do Homem de Ferro, levou alguns fãs a loucura e a outros ao desespero. Sobreviveria a Downey Jr. esse super-herói? Mais de 1 bilhão de dólares espalhado pelo mundo depois, não há sombra de dúvida que essa escolha foi acertada, dos produtores e do ator.
Mas o ator que no momento brilha em ‘Os Vingadores’ (e arrecada mais muitas centenas de milhões) não é infalível, e viemos aqui mostrar os bons e os maus momentos de Robert Downey Jr. Vamos lá?
Os 5 Melhores de Robert Downey Jr.:
5 + “Homem de Ferro” (Iron Man, 2008), de Jon Favreau
O surgimento do “astro” Robert Downey Jr. foi aqui, onde ele junta seu eterno carisma a um talento debochado completamente necessário à produção. Ajudou muito o fato do filme ter sido bem dirigido por Jon Favreau, e o resultado final foi um blockbuster de super-herói simplesmente excelente.
4+ “Garotos Incríveis” (Wonder Boys, 2000), de Curtis Hanson
Um dos grandes esquecidos do Oscar de 2000, não somente o filmaço de Curtis Hanson passou despercebido, como também as grandes interpretações de Michael Douglas e de Downey Jr., como o editor literário do personagem de Douglas. Construído com delicadeza, acidez e bom humor, o filme é um ponto certeiro de todos que estavam em cena ou fora dela, e foi o início da recuperação do nosso astro.
3+ “Trovão Tropical” (Tropic Thunder, 2008), de Ben Stiller
Kirk Lazarus é um marco. Tem 7 Oscars, respeito no mundo do cinema, inveja da classe artística… mas cismou em ser também um grande astro. Pra isso, cavou uma vaga numa superprodução de guerra, com um personagem negro (????) mesmo sendo loiro e de olhos azuis. Veio dessa interpretação magistral a segunda indicação ao Oscar de Downey Jr., um filmaço onde tudo está em seu perfeito lugar. Talvez a última grande comédia do cinema americano até hoje.
2+ “Boa Noite, e Boa Sorte.” (Good Night, and Good Luck, 2005), de George Clooney
Um senhor filme, até agora o ponto alto da carreira de diretor de Clooney, numa investigação sobre ética jornalística e televisiva, um embate entre 2 homens na frente das câmeras. Downey Jr. é apenas uma peça num engenhoso jogo de xadrez comandado pelo talento do diretor, ao lado de outros grandes desempenhos como os de David Strathairn, Frank Langella, Jeff Daniels e do próprio Clooney.
1+ “Short Cuts” (idem, 1993), de Robert Altman
Outro filme de elenco na carreira de Downey Jr., na minha humilde opinião o seu melhor. Ao lado de monstruosas interpretações de Jack Lemmon, Julianne Moore, Jennifer Jason Leigh, Chris Penn, Matthew Modine, Fred Ward, Andie McDowell, Bruce Davison e Madeleine Stowe entre muitos outros, o ator faz uma dupla irresistível com Lili Taylor nessa produção típica do mestre Altman, baseado em contos de Raymond Carver, uma verdadeira obra-prima dos anos 90 sobre relações humanas e encontros que mexem com nosso destino e mudam a vida de ‘gente como a gente’.
Os 5 Piores de Robert Downey Jr.:
5- “A Premonição” (In Dreams, 1999), de Neil Jordan
O mestre Jordan nem errou tão feio assim, o erro completo é mesmo do ator, numa das suas piores interpretações. Talvez seja mesmo ele o grande culpado pelos pontos fracos do filme, como um psicopata que invade os sonhos da protagonista Annette Bening. Uma interpretação completamente equivocada, em todos os sentidos.
4- “Na Companhia do Medo” (Gothika, 2003), de Matthieu Kassovitz
Nada foi capaz de salvar esse filme, nem a estreia hollywoodiana de Kassovitz, nem os talentos de Downey Jr. ou Charles Dance, um suspense capenga sobre uma mulher que é injustamente internada num hospício e precisa sair de lá e provar que não somente não é louca como também não tem nada a ver com um crime do qual é acusada. Ser estrelado por Halle Berry só ajuda a diminuir as credibilidades da produção.
3- “Crimes de um Detetive” (The Singing Detective, 2003), de Keith Gordon
Vemos aqui o quão ruim foi 2003 para nosso amigo, nessa bizarra produção onde tudo é muito ridículo e nada tem a ver com nada. Aqui também temos um personagem internado injustamente, e no caso é o personagem de Downey Jr. Ele tem uma doença de pele, acha que é perseguido e ainda alucina com números musicais completamente desnecessários. Além de tudo, ainda tem Mel Gibson em cena fazendo… nada. Fujam.
2- “Só Você” (Only You, 1994), de Norman Jewison
Esse filme é aquele erro grosseiro que eu odeio, o “filme feito para transformar fulano em astro”, no caso aqui a recém oscarizada Marisa Tomei. Ela vai em busca de um cara que em conhece mas que uma cigana cita como sendo o homem da sua vida. Não há química alguma entre o casal protagonista, e o filme não diverte nem emociona. O que Norman Jewison faz aqui? Não sei, é o caso de perguntar a ele. Uma pequena bomba.
1- “Soltando os Cachorros” (Shaggy Dog, 2006), de Brian Robbins
Tim Allen. Se você tem no currículo algum filme acompanhado dessa pessoa, pode contar que você tem ao menos um filme ruim para esquecer de ter feito. E aqui Downey Jr. não apenas acompanha o cachorro que vira Tim Allen como também lá pelas tantas vira um cachorro, com direito a latidos e objetos carregados na boca. Lamentável, uma vergonha sem tamanho da qual o astro não precisava ter se submetido.
Menção Honrosa: “Chaplin”
O filme não é lá grande coisa, assim como Richard Attenborough nunca foi um diretor memorável, e tudo fica muito no básico da biografia, sem nenhum requinte dramático ou artístico. O ponto único de relevância nessa produção é a entrega e maturidade de Robert Downey Jr. no papel da vida de qualquer ator, de qualquer homem ligado ao cinema. Na pele do maior de todos, ele desaparece e ficam apenas a sensibilidade, o imenso carisma e inteligência cênica de Charles Chaplin. Não é pouco, hein?
















